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Crônicas de um Humano Avatar

Leia as divertidas e intrigantes crônicas de Honny SpiritWeaver sobre o seu dia-a-dia!

Crônicas de um Humano Avatar

Leia as divertidas e intrigantes crônicas de Honny SpiritWeaver sobre o seu dia-a-dia!

sexta-feira, 9 de março de 2012

Amor de mentirinha?

"Estranho seria se eu não me apaixonasse por você 
O sal viria doce para os novos lábios". (Cássia Eller)

   Deveriam colocar cotovelo na edição de Shapes do viewer...Vocês devem estar se perguntando o que me levou a esse assunto, calma, vou explicar. Conversando com um amigo SL do tempo das ajudas, ele me confidenciou estar triste, chateado mesmo com o fim de um relacionamento In-word. Até onde eu sei, ele é uma pessoa com uma RL normal e bem tranquilo, com um excelente convívio com a esposa. Sem querer ser chato, fiquei naquela de parceiro de boteco, que escuta e só diz “sei como é” e “mano, traz mais uma”, porque o assunto pode ser desenvolvimento nuclear ou dor de cotovelo, o bom parceiro só fala isso.
   Quando desloguei fiquei tentando entender o que faz pessoas se apegarem a personagens avatáricos e eles se tornarem assim tão importantes para a realidade delas. Eu nunca vi ninguém com saudade do Sonic, chorando pelo Mario Bros ou “pegando” o PacMen,  então algo mais está acontecendo dentro desse ambiente.
   A dificuldade maior que enfrentamos sendo seres avatáricos não é de forma alguma causado por problemas ‘fora de campo’ ou gerado por outros. Creiam amigos, é verdade! No SL não funciona o ditado “o inferno são os outros”, até porque esses ‘outros’ deveriam em teoria, desligar junto com o PC, com o barulhinho ridículo do Windows fechando e tudo. Lendo isso alguém pode pensar: opa, então beleza, o SL é só uma diversão sadia e descomplicada, sem apelos, compromissos ou auto expressão, só um joguinho... Olha, se você pensou assim eu sugiro que vá jogar playstation, porque no SL você vai quebrar a cara!
    O SL é um ambiente virtual diferenciado e seus usuários (odeio esse termo, parece que é drogado) alias os residentes, tem muitos pontos em comum, não importa em qual parte do mundo RL, pelo, cor e qualidade tenham. Criou um bonequinho, aprendeu a andar e gostou, pronto, você acaba de se encaixar num perfil diferenciado de pessoa e não importa o que você pense ou diga para o parceiro, psicólogo, padre confessor ou mesmo seu travesseiro, você tem peculiaridades comuns aos Secondlifeanos. Tipo assim: uma certa dificuldade em se adaptar a muitas das coisas que são “normais” para a maioria é um dos traços desse perfil. Um distanciamento às amizades ‘reais’, uma impaciência em relação ao certo, ao definido, a idéia do “bonito” ser ousado e a inteligência potencial sempre querendo alcançar novas metas e sedenta por provocações. Traduzindo, para ser avatar tem que ser meio deslocado, meio futurista, ou seja, meio louco mesmo! Loucos assumidos e licenciados com carteirinha, porém em nossas alucinações buscamos o porvir, como um bandeirantes que entrava no Mato buscando esmeraldas e assim abria o caminho para o futuro.
    Não sei se isso que vou dizer é uma grande bobagem ou enorme verdade, (os comentários me mostrarão) mas qualquer secondlifeano veterano (pós-nobbie) é carente,(!) mas não carrega aquela velha carência malvada e sofrida que se origina da solidão, essa até leva alguns ao SL, mas a partir daí passa ser  “amorente” (mistura de amoroso com carente). O amorente é aquele que é avido por manifestar amor de diversas formas e não define onde começa e acaba a fantasia quando o coração entra em ação. Apenas quer trocar amor, companhia e cumplicidade, ter uma pedacinho de vida intensa, fantástica, e deliciosamente infantil!
    Dentro do SL essa pessoa encontra um ambiente propicio e devido ao quase anonimato do avatar, permite que ele solte a imaginação (as vezes a ‘franga’) e dedique-se a novas formas de amar sem que hajam traições ou remorsos, virtudes ou pecados. Nosso personagem relaciona-se com os outros personagens como num enredo de fictício. Daí pra frente, para o enredo tornar-se ser uma comédia pastelão, um romance ou uma drama vai de cada autor. Isso liga no que eu disse no começo: o INFERNO NÃO É OS OUTROS! Calma aí, não desiste de mim... já vou explicar!
   Resumindo, o SL é um ambiente virtual onde pessoas com afinidades se relacionam e manifestam os elementos humanos atrofiados pela realidade (amor, imaginação, etc) e como grande parte desses elementos ficam sufocados nos “normais” não-SLienses(?!), nos assustamos quando nos damos conta disso, porque começamos a lidar com algo muito novo dentro de algo muito velho ( virtualização e amor) e descobrimos capacidades que nunca imaginaríamos ter! Olha gente, não há nada de anormal em seu personagem se apegar ao outro personagem, porque são humanos em relação e numa situação pouco conhecida. Anormal seria não haverem estes relacionamentos. Os efeitos colaterais “fazem parte” do pacote e engolir borboletas de paixão ou curtir uma fossa de vez em quando pode ser bem educativo. O que não podemos é: tendo a chance de nos autodescobrir ficarmos presos a preconceitos ou medos de amar ou de manifestar amor. Ai é que mora o perigo... Tudo passa pelo nosso filtro mental, e a pressão do que deve ser certo ou errado na RL sufoca e direciona o pobre do avatar, que acaba podado em suas possibilidades.
   Entendam que ele não é um boneco de game, um simples animalzinho falante e saltitante (uii) que quebra caixas e ganha bônus. Um Avatar é uma representação virtual de um ser humano em evolução, alguém que busca diversão, interação, conhecimento, uma sintonia com o moderno e que se nega a ficar estagnado, como um poste que olha o trem passar. Queremos crescer buscando experiências novas a nível imaginativo, sem prejudicar ninguém e participando como ser ativo das evoluções, e é importante compreender que máquinas evoluem sem sentimentos, mas seres humanos não! Mesmo que esteja usando uma tecnologia, existe coração no avatar, só que é um banco de dados guardado do lado de cá do teclado.
   Se você é avatar vai se apaixonar, vai se entristecer, vai brigar, vai se juntar, vai se apartar, amancebar, gamar, odiar e mais um monte de humanicices, pois isso é necessário para o processo de crescimento pessoal, e vamos combinar né, melhor sofrer no virtual que no Real. Um fim de relacionamento SL pode ate ser doído, mas com certeza é menos que o Real. Já avaliaram que grandes possibilidades têm um ser avatárico? É uma forma de vivermos experiências novas, sermos protagonistas de outras estórias. É como um simulador de felicidades e infelicidades que nos impulsionam ao degrau de cima da evolução, não para competir, intimidar ou desprezar o Mundo Real, mas sim para completá-lo.
   Eu disse ao meu amigo apenas isso: _Edita o Cotovelo e recomeça! Vai buscar as magias que ficaram pelo caminho. E ele saiu pegando tudo que aparecia. Ouvi dizer que ficou noivo... Mas isso é outra estória...
  Apenas compreendam que no SL rola sentimentos mas com uma diferença enorme do RL. Tudo no SL tem começo, meio e fim, regido pela lei do “Eterno enquanto dure” e que o mundo virtual te dá a possibilidade de amar, te dá o consolo da Saudade mas não te dá o direito de se manter triste.

Paz e bem a todos!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Rapidinha de Carnaval


                QUE TAL UMA RAPIDINHA DE CARNAVAL?
       Nós, seres secondlifeanos, passamos o ano todo sendo corneteados pelos outros porque temos um personagem virtual fictício que reflete, realça e até mesmo revigora nossas fantasias. Ainda bem que existe sempre uma válvula de escape para essa tensão pré-virtual que todos nos impõe, existe sempre um momento em que o Real descamba para o Virtual. Falo nisso porque esta chegando a mais avatárica das datas!! Que Valentine’s Day nada! Estou falando do Carnaval! Ora pessoal, se vocês não conseguem ver a relação entre SL e Carnaval ou estão com um Second Life ruim ou estão doentes do pé!
        A grande maravilha de ter nosso amigo avatar é a possibilidade de estarmos com uma fantasia pronta e a qualquer momento logar, deixando a realidade em ‘stand by’ e vivendo dentro da imaginação uma vida diferente. Sei que tem gente que ta lendo isso e torcendo o nariz, mas a verdade é essa. Essa historia de “eu curto o jogo”, “eu quero é ganhar dinheiro”, “eu só entro para trabalhar” não passa de desculpas esfarrapadas que alguns dão a si mesmo para driblar a consciência e se esbaldar nos mundos virtuais.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Os Pegadores


Cabelo na testa, sou o dono da festa
Pertenço aos Dez Mais
Se você quiser experimentar
Sei que vai gostar (Eduardo Araujo)
      Uma coisa é verdade: vida certa não dá romance. Digo isso porque por mais que gere polêmica escrever sobre estereótipos do SL, só escrevemos porque são eles os "tops" da Segunda Vida. Qual o atrativo de lermos sobre o Zézinho Resident que loga, faz caixas, explora sozinho e vai dormir? A Mariazinha Resident que entra no SL escolhe a primeira roupa do inventário e conversa com as amigas como curou o soluço do filho. Eles são certinhos, sem neuras, sem aventuras nem desventuras, sem loucura, sem fantasias... e também sem sal. Nada contra ser assim, eu as vezes tenho uma baita inveja deles (mas dura 10 segundos e passa).
     O SL é um mundo alternativo, opcional, que você habita se quiser e não como o Mundo Real onde nascer é ser condenado a viver nele. Quem entra no SL tem uma oportunidade de virtualizar suas fantasias e ser aquilo não foi permitido ou conseguido em sua vida real. As regras reais do Ilegal, Imoral ou Engorda não tem validade In-Word e não usar essa possibilidade para se conhecer enquanto pessoa é um enorme desperdício. Quero dizer o seguinte: tem mais é que soltar a franga, o frango, o pinto, a galinha o galo o pato e tudo mais dentro do SL.

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